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We are young



















Lá estava eu em uma festa com a minha melhor amiga, era o aniversário de uma garota que eu tinha conhecido há pouco tempo, não tinha muito papo com nenhuma daquelas pessoas, e nem por isso iria ficar no pé da minha bff. Dancei um pouco, mas quando me dei conta estava sentada sozinha com um bico enorme, querendo ir para casa. Fiquei fitando um garoto, loiro, olhos claros, em volta dele só tinha garotas, parecia que ele era uma presa e elas estavam morrendo de fome, ri sozinha com essa imagem na cabeça, ele era bem bonito, daquele tipo de garoto que você olha sem medo, sabendo que ele não vai virar para encontrar o seu olhar. Ali fiquei, bebendo, todo mundo no meio da pista dançando, rindo, e eu ali, sentada em uma cadeira, me senti tão pequena, rejeitada, invisível, pensava em mil coisas, louca pra hora passar.

Fui ao banheiro, voltei e sentei no lugar que estava na cara que era o meu, foi quando senti um toque meio suado pegando a minha mão, quando olhei, era ele, o loirinho me dizendo:

- O que você está fazendo sentada? A festa é na pista!

Não tive nenhuma reação, só comecei a sorrir sem entender, por um momento achei que ele estava falando com a pessoa errada, mas logo me puxou, me guiou para o meio da pista, pude ouvir os grunhidos das garotas, comecei a rir, lá estava a minha melhor amiga, sem entender o porquê dele ter me levado até ali, nem nos conhecíamos. A partir daí, minha autoestima aumentou, dancei o resto da noite sem olhar para o pulso.

Me senti bem como nunca tinha sentido, por que o garoto mais lindo da festa sairia do meio de garotas lindas e famintas, só para animar uma desconhecida bicuda?
Achei que isso jamais aconteceria comigo, mas aconteceu. Vira e mexe quando me sinto uma estranha solitária, lembro desse dia, e daquele desconhecido lindo me chamando pro meio da pista. Por isso eu afirmo, tudo é possível minha amiga.

235 jeitos de sentir saudade


Tive novamente o mesmo pesadelo está noite, havia pessoas chorando o mais alto que podiam, a tristeza no rosto delas parecia um pouco da dor que o coração trazia, dor imensa, e só aumentava mais quando pensavam em todo futuro, em tantas coisas brilhantes que viveriam se estivessem aqui.
Há uma vontade infinita de voltar no tempo apenas para não deixa-los sair de casa, faze-los ficar sentados no sofá mesmo que emburrados por não aproveitarem aquela noite - mesmo que fosse a mais bonita do ano.

Lembro de ouvir algumas pessoas me fazendo pensar que poderia ser eu, ou alguém muito próximo à mim, temos a mania de achar que nada de ruim vai acontecer conosco, com quem amamos, ou com nossa família, mas ninguém tem como ficar imune dos acidentes que estamos sujeitos ao viver nesse mundo.
O pesadelo continua, não consigo acordar, parece que são nessas horas que o tempo se torna inimigo, e todas as coisas do mundo também. Sem saída alguma, sem chance para poder sair correndo, para lutar pela vida. A dor de ter que escolher entre a sua vida ou a de alguém que você conviveu mesmo que pouco. Dói porque parece que as perdas são maiores do que tudo que permaneceu, talvez até seja, mas devemos lutar pelas coisas que permanecem.

Acordei chorando, com as mãos frias, aquela dor no peito que as pessoas no sonho sentiam, eu sentia também. Sonhei que 235 pessoas deixaram esse mundo de uma das formas mais dolorosas possíveis, e mesmo que eu nunca tenha nem visto ou falado com qualquer uma dessas pessoas há a dor da perca está aqui, sinto compaixão pelas pessoas que ficaram, pelas famílias que vão seguir com muita saudade no coração, e sinto principalmente como ser humano, não somente por ter perdido pessoas que carregavam mentes brilhantes, mas também por ter por toda eternidade a marca de uma queimadura que sempre arderá.

Em solidariedade as vitimas de Santa Maria, vocês não estão sozinhos, o Brasil todo sofre junto com vocês. Formamos uma corrente de força, para assim, lutarmos pelo que permaneceu, mesmo que não seja fácil daqui para frente devemos permanecer junto com as coisas que aquelas mentes que hoje brilham em outro lugar nos deixaram.