A história: minha garota

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Já contei para vocês a história de uma garota? Sim, uma garota muito parecida com as que você encontra todos os dias pelo caminho. Se não, à guardem e espalhem, se já, vão sempre me ver passando esta história a diante.

A algum tempo atrás, tive a oportunidade de conhece-la, de longe parecia comum, de perto nenhum pouco. Havia algo que me fez cair aos seus pés, fez com que eu tentasse chamar sua atenção todos os dias, ela já até me fez mudar de caminho algumas vezes. Depois de algum tempo ela se acostumou com a minha presença, quando não dizia nada, ela sentava ao meu lado, sempre desconfiada, tentando fazer com que eu a percebesse, ela nem imagina que presto atenção em cada movimento suave que ela faz, sempre se movimentando rapidamente, tem uma risada alta, e um perfume que eu nunca havia sentido antes.

Passei algum tempo tentando evita-la, acabar com o habito de fingir que a conheço, mas quando eu estava aceitando a ideia de não conhece-la, ela sentou ao meu lado no almoço, dessa vez sozinha. Estava séria, quieta, com uma expressão de preocupação, podia ver até mesmo suas mãos tremendo. Foi quando meu plano de apaga-la da minha memoria tomou rumo oposto, eu precisava saber o que estava acontecendo com ela, e pela primeira vez na vida fiz a primeira coisa que me veio na cabeça. Segurei a mão dela e disse:

- Está tudo bem?

Ela me olhou, de fato assustada, aposto que não esperava que tivesse uma reação dessa:

- Ah, obrigada, estou bem.
- Desculpe me intrometer, mas não parece, quer conversar?
- As coisas estão complicadas para mim, não quero estragar seu almoço.
- Do jeito que você preferir. Posso te buscar hoje as 19h para você estragar meu jantar?

Ela deu risada, e foi como se o céu abrisse depois de uma estação inteira só de chuva:

- Vai se arrepender, mas já que faz questão de ter um péssimo jantar... Pode!

Foi tudo tão rápido que tinha até esquecido do quanto de perto ela é incrível, depois do jantar tive certeza disso. Tudo que ela dizia parecia uma música que você não quer parar de escutar. Lembro da sua voz, e o quanto adorava ouvi-la mesmo quando ela brigava comigo por ter deixado a tampa do vaso levantada, de quando faziamos compras e ela sempre escolhia primeiro chocolate, me arrependo de ter falado que se ela ficasse com o rosto cheio de acne eu a deixaria, ela ficava linda até mesmo com o rosto inchado, depois de ter passado uma noite toda chorando de dor, sem fazer nenhum barulho, apenas para que eu pudesse dormir. Por que não acordei por acaso no meio daquela noite?

Todos os dias quando eu olho para o travesseiro, que depois de tantos anos não tem mais o cheiro dela, sinto uma saudade insuportavel, uma dor maior que tudo que eu já senti algum dia. Ela se foi, e como sempre fez isso por amor, me deixou um presente que sempre foi o sonho dela: uma garotinha linda, pequenininha, com o rosto dela, o mesmo jeito que ela tinha.

Ela se foi, mas deixou uma parte dela para eu cuidar, a qual eu chamo de minha filha.

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