Amor de um carnaval


Estava tão quente quanto o carnaval deste ano, talvez hoje em dia tenha mais pessoas pulando em todos os lugares, mas nunca gostei de muita gente junta, dá a impressão que a terra não sustenta tantas pessoas pulando sob o mesmo lugar. Quando eu era menor, o carnaval não era pulado com fantasias e mascaras, mas sim com rostos pintados, todo mundo bem colorido, sorrisos tão estampados e brancos, as músicas ao fundo, lembro-me de todas, de traz para frente, independente de qual fosse a voz que cantasse. Eu amava carnaval, e todas as coisas maravilhosas que ele me trazia, ter a oportunidade de viajar para um lado do país uma vez por ano, e voltando para casa ter certeza que foi a melhor viagem do mundo.

Mas esse carnaval é o que eu nunca vou esquecer, aconteceu aqui mesmo, essa cidade do interior de São Paulo, onde não tinha nenhum turista a vista, todas as pessoas que estavam na rua me conheciam desde criança, todos ao meu redor usavam mascaras, uma mais brilhante que a outra, me encolhendo senti mais falta de quando nos pintávamos.

Tocava "Minha pequena eva", e eu gritava com meus amigos do lado, dançando, brincando, e nos divertindo que era a lei do carnaval. De repente, eu não estava mais na muvuca de máscaras conhecidas, era um estranho que me pedia a mão e sorria como se fosse o único ali que não me conhecia. Que mal podia haver em deixar-se encantar por um desconhecido mascarado?

Ele cantava no meu ouvido: "além do infinito eu vou voar, sozinho com você, e voando bem alto, me abraça pelo espaço de um instante, me cobre com teu corpo e me dá a força pra viver..." Aquele estranho estava me ganhando a cada música, e a cada instante que corremos quando percebemos que fomos deixados para traz pelo trio elétrico.

O dia já estava perto de ficar claro, do mesmo jeito que aquele lindo estranho apareceu, desapareceu também. Seu cheiro ficou, e todas as vezes que eu andava pelas ruas da minha cidadezinha, olhava para as pessoas de um outro jeito, imaginando mascaras em todas as pessoas que passavam por mim, definitivamente aquele homem era um turista, eu o reconheceria pelo sorriso ou pelo cheiro.

Foi então que hoje, neste carnaval quando conversava com o meu marido sobre todos os outros carnavais passados, descobri que naquele ano onde o meu carnaval foi inesquecível ele estava visitando alguns primos, e que quando tocou "Minha pequena eva", ele estava com a pequena eva em seus braços.

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